O primeiro semestre de 2011 foi muito bom para os produtores de gado de corte. Preço do bezerro e do boi gordo muito acima doa valores de 2010. No segundo semestre, o canário está um pouco incerto. Vamos analisar os principais fatores formadores do preço do boi. O cenário é positivo, apesar de improvável repetição do pico de preço de novembro - 2011.
As grandes tendências de consumo de alimentos seguem inalteradas. O mundo continua demandando mais e mais produtos do agronegócio (alimentos, alimentação animal, fibra e produtos florestais). Como a produção não cresce tão rápida e a produção não cresce tão rápida e a expansão para novas áreas é limitada, os preços tendem a se manter firmes. Mesmo com a crise econômica voltando a rondar o mundo, fica claro que não deve haver crescimento do consumo de alimentos. No Brasil, o cenário é ainda mais promissor, com o consumo interno crescido.
As previsões para o segundo semestre indicam um grande crescimento do confinamento no país. A pesquisa que levanta os 50 maiores confinadores do Brasil indica um crescimento projetado de 32% em relação ao realizado em 2010. Outros levantamentos indicam crescimento na casa dos 30%. Em especial nos estados de GO e MT, o confinamento cresce esse ano. Um ponto importante: o pico deve ocorrer em setembro e não em outubro como ocorreu nos anos anteriores. Isso é o que está pressionando os preços atualmente, mas que pode virar o mercado em outubro.
Desde o início do ano passado, o dólar vinha numa acentuada desvalorização frente ao Real, o que diminuía a competitividade da carne brasileira no mercado internacional. Com isso os volumes vêm caindo mês a mês, apesar do aumento do preço médio quase compensa esse recuo. A notícia positiva, é que desde o início de setembro, a cotação do dólar vem se valorizando fortemente e na data que termino esse artigo (15/09/2011), o preço do boi em dólar está na faixa de US$ 57/@, depois de um valor máximo de US$66/@. Em julho/2011, o boi brasileiro valia mais que o norte-americano e hoje vale 24% menos. Ótima notícia, pois voltamos a ter vantagem na exportação.
Esse ano, o mercado está se comportando diferente. O preço do boi gordo no primeiro semestre ficou acima do valor que estamos vivenciando no segundo semestre. No entanto, ao comparar jan-ago de 2010, com o mesmo período de 2011, temos em média mais R$20/@.
O preço do bezerro no acumulado de 2011 está em 11% acima de 2010 (jan-ago) e a margem bruta na reposição (valor de um boi gordo menos o valor de um bezerro) está 40% mais alto esse ano do que em 2010. Indicando mais rentabilidade para o criador e mais para o invernista.
O ano de 2011 tem sido apertado para as margens dos frigoríficos. O valor do spread, diferença entre i preço da carne e do boi gordo, que é um indicador da margem do frigorífico crescer muito. Quanto maior o spread, menor a rentabilidade da indústria. Ou seja, desde novembro de 2010, os frigoríficos passam por um período de margem apertada. A boa notícia é que em setembro de 2011, esse spread vem recuando e em 15/09/11 está em R$ 4,22/@. Muito próximo dos valores do primeiro semestre de 2010, que foram bons para a indústria.
Um ponto que vale a pena destacar é o crescimento do mercado de carne de qualidade. Temos cada vez mais produtores, frigoríficos e varejo se preocupando em atender o mercado de maior renda, com produtos diferenciados, com marca e garantis de qualidade. O mercado brasileiro está demandando esse tipo do produto, seja no mercado para classe média alta, seja para alta renda. Já existem exemplos de projetos no Brasil de carne de altíssima qualidade, com preços similares aos altos dos EUA, por exemplo.
O mercado segue firme para carne bovina brasileira. Até pouco tempo, quem dava sustentação era o mercado interno, que sozinho não conseguia manter os altos preços do segundo semestre de 2011. Mesmo assim, o mercado interno garantiu preços em 2011 muito melhores que os do primeiro semestre do ano passado. Além disso, o crescimento do confinamento em 2011 aumenta a oferta e pressiona preços, com destaque para os estado de Goiás e Mato Grosso. Nesses dois estados, a maior oferta deve ocorrer em setembro, mas de outubro em diante a oferta deve recuar. E a recente desvalorização do Real frente ao Dólar aumentou significantemente a competitividade da carne brasileira no mercado internacional. Reforço que o mundo quer consumir mais carne e o Brasil é o país melhor posicionado para atender essa demanda crescente.
Miguel da Rocha Cavalcanti (Boletim Técnico – SERRANA- set/out2011)